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MARQUETERIE

Exposio Marqueterie

31 de Outubro de 2008 a 28 de Janeiro de 2009

 

Marqueterie

 

 

 

COLEO DUARTE PINTO COELHO

 

Marqueterie

 


CENTRO CULTURAL DE CASCAIS, 31 OUTUBRO 2008 A 28 JANEIRO 2009

 

A Fundao D. Lus I apresentou no Centro Cultural de Cascais a exposio Marqueterie composta por um conjunto de caixas dos sculos XVIII e XIX da coleco do ilustre decorador cascalense Duarte Pinto Coelho, residente em Espanha. Marqueteria uma arte muito antiga de embelezamento de mobilirio e objectos, com base em inscrutraes de pedras preciosas, embutidos, pequenos arranjos em que se combinam diversos elementos decorativos, que impressionam pela delicadeza e mincia.

 

P1040141 editado 140x208  P1040156 editado 140x208   P1040155 editado 143x208   P1040153 editado 140x208  P1040154 editado 144x208
P1040183 editado 370x256 copy P1040190 editado 370x260 copy
   
   

        

 

 

E m b u t i d o s   e m   P a l h a


(Marqueterie)

 

 

755 Miniatura de secretria de cilindro

Miniatura de secretria de cilindro, Espanha, sc. XVIII, Decorada com parquet, com tampa em lata, incluindo no seu interior uma parte espelhada e trs compartimentos com tampa e quatro gavetas | 40 x 38 x 25 cm
 

 

I A difcil questo das origens dos embutidos de palha

Ter a arte de embutir em palha nascido ao memo tempo e lugares que os embutidos em geral?

Os embutidos, na sua generalidade, so originrios da sia Menor. Foram moda no Imprio Romano e esquecidos durante alguns sculos. Voltaram a brilhar em Florena, Npoles, Siena e outras cidades do norte de Itlia, de onde irradiaram pelo resto da Europa. Os materiais utilizados pelos artesos eram o mrmore, o osso, a madeira e mais tarde, o cobre, o estanho, a madreprola, o marfim e o corno. Tempos depois comearam os marceneiros a utilizar, nos seus mveis, o embutido em marfim sobre madeiras preciosas. No entanto, os embutidos em palha sempre foram postos margem, tidos por anedticos, uma espcie de curiosidade negligenciada pelos historiadores das artes decorativas.

O embutido em palha pode ter tido origem oriental, pois as trocas comerciais entre a Europa e a sia comearam a ser muito activas a partir do sculo XV graas aos mercadores venezianos, portugueses, holandeses e, depois franceses. Na verdade, a origem deste tipo de embutido s nos finais do sculo XIX e j no sculo XX foi determinada como sendo, efectivamente, a China. Certo, que este tipo de embutido sobreviveu, alternando perodos de grande voga com outros de quase esquecimento, at aos anos 20-30 do sculo XX.

 

755 Cigarreira em palha

Cigarreira em palha, Inscrio DPF | 13,5 cm - Cigarreira em palha, sc. XIX | 15 cm - Caixa, sc. XIX | 15 cm

 

 

II Os artesos

H peas em palha produzidas individualmente por artesos e classificadas de artesanato popular como, por exemplo, pequenas caixas redondas ou pequenos cofres, com uma decorao bastante rudimentar, cuja manufactura remonta aos anos entre 1820-30.
Alguns objectos utilitrios, de talhe grosseiro, com decorao base de portos e barcos, so do sculo XIX e realizados por artesos camponeses e trabalhadores forados.

Um erro normalmente aceite e difundido o de assimilar o embutido em palha aos trabalhos forados. Na realidade, os artesos de embutidos de palha so, na sua maioria, gente profissional que trabalha colectivamente, quer em casa quer na oficina. As suas peas so repetidas tanto na forma como na decorao, embora possam ter existido peas nicas. Encontram-se, muitas vezes, variantes de cor, de detalhes e de colocao da palha, num ou noutro dos objectos que testemunham o trabalho em srie. Estas oficinas tanto podiam ser civis como religiosas ou penitencirias. A complexidade do trabalho exigia a sua diviso por outros artesos, consoante fossem marceneiros ou embutidores propriamente ditos quem fazia diversos trabalhos preparatrios da palha como, por exemplo, o corte, a tinturao, o espalmamento e a colagem nas placas conforme a complexidade das peas. Esta forma de decorao atingiu grande perfeio no sculo XVII, em Itlia, Espanha e Frana. Artesos que, na sua esmagadora maioria, permaneceram incgnitos.

Houve um outro tipo de artesos: senhoras e senhores da boa sociedade, dotados de bons olhos, pacincia e sobretudo de tempos livres, dedicaram-se a executar trabalhos manuais. Como passatempo? Ou, em certos casos, para angariarem algum dinheiro que viesse melhorar as suas dificuldades financeiras? Durante sculos, o trabalho era tido como desprestigiante pelas classes senhoriais. S era aceite como passatempo, entretenimento ou prazer. Chegavam a reunir-se em casa de uns ou de outros para executarem trabalhos de maior vulto. As senhoras e as suas filhas, dedicavam-se principalmente aos bordados, rendas e tapearias. Eles, os senhores, dedicavam-se a outro tipo de manufacturas, sobressaindo o desenho e a pintura, bem como a marcenaria e a serralharia. E tambm, principalmente nos sculos XVII e XIX, nos trabalhos em palha embutida.

 

755 ARCA

Modelo de Arca de No, sc. XIX, a estrutura com quatro janelas, decorao de parquet | 38 x 60 x 15 cm

 

 

III As Oficinas

J foi referido que as oficinas podiam ser de origem civil, religiosa ou penitenciria. De qualquer destas oficinas saram peas verdadeiramente excepcionais e requintadas, com os mais variados destinos utilitrios.

Nas oficinas civis, os artesos eram profissionais em uma ou duas das tarefas necessrias produo da pea. Naturalmente que, ao tempo, o conhecimento dos segredos de cada uma das tarefas era, tal como nas outras profisses, transmitido de pais para filhos. Era a regra laboral ao longo de toda a Idade Mdia e at aos finais do sculo XVIII, se bem que tal costume subsistisse ainda por mais de um sculo. Em certas circunstncias como, por exemplo, a necessidade de mais mo de obra devido a uma maior procura destes artigos, era permitida a admisso de aprendizes, os quais juravam fidelidade aos mestres.

J as oficinas religiosas, localizadas desde a Idade Mdia at ao princpio do sculo XX, em muitos conventos de diversas Ordens por toda a Europa, que viviam beira da misria, principalmente os mosteiros de Ordens femininas, tinham de recorrer a diversos tipos de trabalhos manuais de acordo com os talentos das freiras.

A lista dos diversos trabalhos longa: iluminuras, miniaturas, imagens piedosas coloridas, quadros, frescos, murais, decoraes com conchas ou fragmentos de loua, bordados em seda, ouro ou prata, rendas, tapearias, flores artificiais, trabalhos em cera, e, tambm, trabalhos em palha. Todas estas tcnicas eram usadas para decorar os conventos, as igrejas e os altares. Bem como para presentearem visitantes e para vendas por ocasio de peregrinaes, feiras e datas importantes da vida litrgica.

O terceiro tipo de oficinas era a dos presos de delito comum e a dos prisioneiros de guerra. Uns e outros, detidos por longos perodos e insuficientemente alimentados, eram condenados a trabalhos forados, sobretudo ligados terra. Mas havia excepes dado que todos os presos, antes de o serem, teriam tido as mais diversas profisses, nas quais eram agora aproveitados e com melhor rendimento. Se numa ou noutra profisso no havia o nmero de artesos necessrios, eram ento escolhidos uns quantos iniciados e aprendizes de entre os reclusos. Atendendo ao longo tempo de priso a cumprir, estes aperfeioavam-se na arte, chegando mesmo a atingir um grau tcnico muito elevado. O que, naturalmente, tambm aconteceu com os embutidos em palha.


 

 

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