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VIVIAN MAIER

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Pois todos os jantares foram preparados, os pratos e os copos lavados, e as crianças mandadas para a escola e mergulhadas no mundo. Nada resta de tudo isso. Tudo se evaporou. Nenhuma biografia ou história tem uma palavra a dizer sobre isso.

     

 

For all the dinners are cooked, the plates and cups
washed, the children sent to school and gone out into
the world. All has vanished. No biography or history
has a word to say about it.

 

Virginia Woolf, Um Quarto Só para Si / A Room of One's Own, 1929

 

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Self-Portrait, New York, 1954 © Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
 
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Vivian Maier (1926-2009) trabalhou como ama durante mais de quatro décadas a partir do início dos anos 50 do século XX. Passou a vida inteira despercebida até à recente descoberta da sua obra fotográfica (em 2007): um trabalho colossal composto por mais de 120 000 negativos, filmes em Super 8 e 16 mm, várias gravações, fotografias diversas, e uma multitude de filmes por revelar. Embora ainda não tenha havido tempo suficiente para comparar as diferentes análises académicas e críticas desta obra, parece apropriado apresentar uma selecção não exaustiva, contudo representativa, das imagens da fotógrafa. Esta primeira apresentação oferece um vislumbre da visão requintada e da subtileza com que Vivian Maier se apropriou da linguagem visual da sua época.

 

Vivian Maier (1926-2009) worked as a governess for more than four decades as of the beginning of the 1950s. Her entire life went inevitably unnoticed, until her photographic corpus was discovered recently (in 2007): a colossal work consisting of more than 120,000 negatives, super 8mm and 16mm films, various recordings, miscellaneous photographs, and a multitude of undeveloped films. In spite of the fact that there has not been enough time to compare the different scholarly and critical analyses of this work, it seemed appropriate to show a non-exhaustive yet representative selection of the photographer's images. This first presentation provides a glimpse into the fine eye and subtlety with which Vivian Maier appropriated the visual language of her age.

 

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Untitled, 1954, New York © Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
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No seu tempo livre, Vivian Maier fotografou as ruas, as pessoas, objectos, paisagens; em última instância, e em termos simples, fotografou aquilo que via abruptamente. Ela sabia como capturar o seu tempo por uma fracção de segundo. Narrava a beleza das coisas comuns, em busca das falhas imperceptíveis e inflexões elusivas do real na banalidade do quotidiano.

 

In her spare time, Vivian Maier photographed the street, people, objects, landscapes; ultimately, she photographed what she saw abruptly, to put it simply. She knew how to capture her time for a fraction of a second. She narrated the beauty of ordinary things, seeking the imperceptible cracks and elusive inflections of the real in everyday banality.

    

 

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Chicago, c1957 © Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
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O seu mundo era os outros, os desconhecidos e os anónimos que Vivian Maier tocou por um segundo, de modo que quando ela fotografava com a câmara era primeiro uma questão de distância – a mesma distância que transformou aqueles personagens nos protagonistas de uma anedota sem importância. E, embora ousasse fazer composições imperiosas e desconcertantes, Vivian Maier fica no limiar e até mesmo além da cena que fotografa, nunca deste lado, para não ficar invisível. Ela participa no que vê e torna-se também sujeito. 

 

Her world was the others, the unknown, anonymous people, whom Vivian Maier touched upon for a second, so that when she recorded with her camera was first a matter of distance – that same distance that turned those characters into the protagonists of an anecdote of no importance. And even though she dared imperious, disconcerting compositions, Vivian Maier stays at the threshold and even beyond the scene she photographs, never on this side, so as not to be invisible. She takes part in what she sees and becomes a subject herself.

 

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Self-Portrait, New York, 1953 © Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
 
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Os reflexos do seu rosto, a sua sombra que se estende no chão, a figura da sua silhueta, são projectados no perímetro da imagem fotográfica. Vivian Maier fez inúmeros auto-retratos durante esses anos com a insistência de alguém que procura por si mesma. Ela cultivava uma certa obsessão, menos pela imagem em si do que pelo acto de fotografar, pelo gesto, uma realização em devir. A rua era o seu teatro; as suas imagens um pretexto. 

 

The reflections of her face, her shadow that extends on the ground, the figure of her silhouette, are projected in the perimeter of the photographic image. Vivian Maier made numerous self-portraits in those years with the insistence of someone in search of herself. She cultivated a certain obsession, less for the image itself than for the act of photographing, for the gesture, like an accomplishment in the making. The street was her theatre; her images a pretext.

 

Anne Morin
Comissária da exposição / Exhibition curator

 

 

 

 

Vivian Maier não deu títulos às fotografias.

As indicações de lugares ou datas provêm das anotações escritas à mão, encontradas nos seus arquivos. 

Todas as imagens expostas vêm da colecção de John Maloof, em Chicago.

 

 

Vivian Maier gave no titles to the images exhibited.

Indications of place or dates come from handwritten notes found in her archives. 

All these prints come from the collection of John Maloof, Chicago.

 

 

 

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© Courtesy of Maloof Collection and Howard Greenberg Gallery, NY
 
 
 
Vivian Maier virou-se para a fotografia a cores no início dos anos 70. A mudança para a cor veio acompanhada de uma mudança de prática, pois a partir desse momento a fotógrafa trabalha com uma Leica. A câmara é leve, fácil de transportar: as fotos são tiradas diretamente à altura dos olhos, ao contrário da Rolleiflex que usava habitualmente. Vivian Maier afirma assim a sua arte, enquadrando-se no contacto visual com os outros, fotografando o mundo na sua realidade colorida. O seu trabalho a cores permanece, no entanto, singular e livre, até lúdico. Ela explora as especificidades da linguagem cromática com uma certa descontracção, elabora o seu próprio vocabulário, mas, acima de tudo, diverte-se com o real: destacando detalhes de cores estridentes, mostrando as discrepâncias multicoloridas da moda ou brincando com contrapontos reluzentes. 

 

 

 

MARCOS CRONOLÓGICOS


1926 Vivian Maier nasce em Nova Iorque, a 1 de Fevereiro. O pai é de origem austro-húngara e a mãe de origem francesa, nascida nos Alpes.

1930 O pai deixa a casa de família. Vivian Maier e a mãe partilham um apartamento com a fotógrafa Jeanne Bertrand.
1932 Viajam para França e estabelecem-se em Saint-Bonnet-en-Champsaur, nos Altos Alpes.
1938 Regressam para viver em Nova Iorque.
1950 Vivian Maier regressa a França para reclamar uma herança da sua tia-avó; ela utilizaria esse dinheiro para financiar as suas viagens. Tirou várias fotografias de paisagens e retratos dos habitantes do vale do Champsaur usando câmaras de caixa ou do tipo fole.
1951 Viaja para Cuba, Canadá e Califórnia. Começa a trabalhar como ama para ganhar a vida.
c-1952 Compra a sua primeira Rolleiflex. Interessa-se pela vida quotidiana nas ruas de Nova Iorque. Também tira retratos: das crianças ao seu cuidado, mas também a estranhos e a algumas celebridades com quem se cruza.
1955 Viaja para Los Angeles onde trabalha.
1956 Muda-se definitivamente para Chicago, onde trabalha para a família Gensburg, com a qual ficaria durante 17 anos. Monta um laboratório na casa de banho privada de que dispõe na casa.
1959-1960 Vivian Maier viaja pelo mundo, ficando principalmente nas Filipinas, Ásia, Índia, Iémen, Médio Oriente, Europa do Sul, e depois vai para França uma última vez.
1970-1980 Tira fotografias a cores com a sua Leica, e filma também em 8 mm e 16 mm. Vivian Maier tira as suas últimas fotografias.
1990-2000 Guarda uma colecção considerável de livros, recortes de jornais, filmes e fotografias. Esta colecção seria arrestada mais tarde como forma de pagamento da renda em atraso. Fica praticamente sem trabalho e os seus recursos são parcos. A família Gensburg aluga um apartamento para a acomodar.
2009 Morre em Chicago a 21 de Abril.